Não me lembro da última vez que a vi, porque naquela época, duvido que meu pequeno cérebro fosse capaz de registar alguma imagem. Mas me lembro da última. E creio que tão cedo não vou parar de me lembrar: tão pequenina e frágil, com os papéis tão invertidos, eu olhando de cima e velando por ela enquanto estava abatida e cansada de ficar por aqui. Ontem, vendo-a imóvel e fria, com os olhos fundos e semblante calmo, só pude desejar que ela não tivesse sofrido tanto.
Lembro de todas as vezes em que fui até a casa dela. Ela era uma dessas pessoas constantes, que moram a vida toda na mesma casa, tem os mesmos hábitos, permanecem casadas com as mesmas pessoas e lutam pela vida com a mesma fé de sempre. E ela lutou. Pelo pouco que sei da vida da maior guerreira que eu já conheci, não foram poucas e nem sempre boas as coisas por que ela passou. Mas enfrentou com a maior coragem, do alto dos seus 1,60m e seus, no máximo, 50kg.
Lembro de cada pedacinho de doce de leite caseiro que ela me ofereceu, de cada pão-de-ló, de cada abraço, de cada pote da MELHOR maionese caseira do mundo, de cada "liquita". Todos nós éramos "liquitos". Não tenho a menor idéia do que significa, nem se significa alguma coisa, mas suponho que seja italiano e que seja algo muito carinhoso. Ai que saudade.
Não é porque se foi que virou santa. Ainda. Claro que D. Déo tinha seus defeitos. Turrona e cabeça-dura, jamais admitia que estava errada, nem que a prova estivesse dançando ali na frente. Mas mesmo nesses momentos, era humana, e estava presente. Mais presente que muitos outros.
Ontem eu fui até o fim. Me obriguei a olhar pra ela e pedir para Deus que tomasse conta da minha vozinha, que cuidasse dela e que ela, se pudesse, olhasse por nós que ficamos aqui. Ontem eu fui até o fim, talvez por não acreditar que fosse verdade. Ontem eu fui até o fim pq hoje eu estou aqui, morrendo de saudade.
Sei que é egoísmo chorar, sofrer...pq provavelmente ela está melhor que nós todos, descansando em paz, como ela sempre mereceu. Mas, quem disse que falar e fazer são ações parecidas? Eu sofro e eu choro, mas eu rezo também, e eu acredito que um dia a gente ainda vai se encontrar de novo.
Um beijo, vó.
Te amo demais. Para sempre.
Da sua liquita moreninha
Lembro de todas as vezes em que fui até a casa dela. Ela era uma dessas pessoas constantes, que moram a vida toda na mesma casa, tem os mesmos hábitos, permanecem casadas com as mesmas pessoas e lutam pela vida com a mesma fé de sempre. E ela lutou. Pelo pouco que sei da vida da maior guerreira que eu já conheci, não foram poucas e nem sempre boas as coisas por que ela passou. Mas enfrentou com a maior coragem, do alto dos seus 1,60m e seus, no máximo, 50kg.
Lembro de cada pedacinho de doce de leite caseiro que ela me ofereceu, de cada pão-de-ló, de cada abraço, de cada pote da MELHOR maionese caseira do mundo, de cada "liquita". Todos nós éramos "liquitos". Não tenho a menor idéia do que significa, nem se significa alguma coisa, mas suponho que seja italiano e que seja algo muito carinhoso. Ai que saudade.
Não é porque se foi que virou santa. Ainda. Claro que D. Déo tinha seus defeitos. Turrona e cabeça-dura, jamais admitia que estava errada, nem que a prova estivesse dançando ali na frente. Mas mesmo nesses momentos, era humana, e estava presente. Mais presente que muitos outros.
Ontem eu fui até o fim. Me obriguei a olhar pra ela e pedir para Deus que tomasse conta da minha vozinha, que cuidasse dela e que ela, se pudesse, olhasse por nós que ficamos aqui. Ontem eu fui até o fim, talvez por não acreditar que fosse verdade. Ontem eu fui até o fim pq hoje eu estou aqui, morrendo de saudade.
Sei que é egoísmo chorar, sofrer...pq provavelmente ela está melhor que nós todos, descansando em paz, como ela sempre mereceu. Mas, quem disse que falar e fazer são ações parecidas? Eu sofro e eu choro, mas eu rezo também, e eu acredito que um dia a gente ainda vai se encontrar de novo.
Um beijo, vó.
Te amo demais. Para sempre.
Da sua liquita moreninha
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